Editorial
EDITORIAL
Editorial
Ângela Gaspar
Editor da RPIA
Caros Colegas,
É com grande prazer que vos dirijo estas últimas palavras na qualidade de
Editor da Revista Portuguesa de Imunoalergologia(RPIA). Foi com enorme gosto
que durante estes dois últimos anos desempenhei esta função, provavelmente nem
sempre da forma mais eficaz, mas tentando sempre dar o meu melhor conforme me
foi sendo possível. Destaco a importante indexação recentemente obtida da RPIA
na plataforma SciELO(Scientific Electronic Library Online) Citation Index da
Thomson Reuters.
A RPIA irá certamente beneficiar muito de uma mudança de Editor na
continuidade. Assim, a Dra. Amélia Spínola Santos, que tem pertencido desde há
vários anos ao Corpo Editorial da RPIA, irá substituir -me nestas funções, o
que irá ser uma garantia de sucesso e dinamismo renovado à RPIA. Da minha
parte, a minha colaboração estará sempre ao dispor da Sociedade Portuguesa de
Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e da RPIA. Ao próximo Editor da RPIA e
à equipa que entender constituir, desejo as maiores felicidades e êxito.
Neste último número de 2013 da RPIA publicamos um interessante artigo de
revisão sobre a imunogenética das reacções alérgicas a fármacos, tema sobre o
qual é oportuno fazermos uma actualização dos nossos conhecimentos. Ainda no
âmbito da hipersensibilidade a fármacos e da sua abordagem diagnóstica
publicamos dois artigos originais.
Um inovador trabalho que avalia o efeito do uso de anestésico local no decurso
da realização de testes intradérmicos com fármacos e veneno de himenópteros,
concluindo que a utilização do anestésico local, patchanestésico com prilocaína
e lidocaína (EMLA®), reduz significativamente a dor associada aos testes
cutâneos e não afecta o resultado dos testes. A sua aplicação na prática
clínica será uma óbvia mais -valia, permitindo melhorar o conforto dos doentes
durante a execução dos testes intradérmicos, essenciais na abordagem
diagnóstica destas patologias.
O segundo artigo é sobre a doença do soro-likeassociada à administração de
fármacos em idade pediátrica.
Os autores efectuaram um estudo retrospectivo dos casos avaliados na consulta
de alergia a fármacos do Hospital Maria Pia entre 2006 e 2012, incluindo um
total de 23 doentes. Os antibióticos beta -lactâmicos foram os fármacos
suspeitos e todas as reacções foram tardias e surgiram, em média, ao oitavo dia
de tratamento. Os autores alertam para o facto de que é necessário um elevado
índice de suspeição para fazer o diagnóstico desta entidade rara, o qual é
determinado pela relação temporal entre a ingestão do fármaco e o aparecimento
do quadro clínico, sendo de menor importância o contributo dos meios auxiliares
de diagnóstico.
O terceiro artigo efectua a caracterização das admissões por asma ao serviço de
urgência de adultos do Hospital de São João. Os autores analisaram
retrospectivamente os registos do serviço de urgência durante um ano, tendo
identificado 306 episódios de urgência por asma, correspondendo a 260 doentes.
Apenas um quarto destes doentes era previamente seguido em consulta de
especialidade (Imunoalergologia / Pneumologia) e a medicação prévia era muitas
vezes não a mais adequada. A colaboração de especialistas permitirá melhorar a
abordagem e orientação destes doentes, optimizando o controlo da asma.
Publicamos ainda uma carta ao editor sobre a determinação de IgE específica em
crianças com alergia às proteínas do leite de vaca. Numa análise retrospectiva
de 80 crianças com este diagnóstico que realizaram prova de provocação oral com
leite de vaca durante o período de dois anos, e que tinham efectuado doseamento
de IgE específica nos 6 meses anteriores à prova, o melhor limiar de decisão
para a IgE específica para leite de vaca (método ImmunoCAP®) foi de 2,15 kU/L
(sensibilidade de 78%, especificidade de 84%, valor preditivo positivo de 58% e
valor preditivo negativo de 93%).
Na secção das notícias destacamos, entre outras, um breve relato sobre a 34.ª
Reunião Anual da SPAIC, que decorreu em Vale de Lobo, Algarve, de 11 a 13 de
Outubro e onde se inclui a listagem dos prémios SPAIC deste ano.
Como Editor da RPIA queria expressar o meu reconhecimento aos colegas abaixo
indicados, que contribuíram ao longo deste ano de 2013 com os seus comentários
para a rubrica Artigos Comentados: Ana Margarida Pereira, Eugénia Almeida,
Filipa Ribeiro, João Gaspar Marques, Jorge Viana, Natacha Santos, Patrícia
Barreira e Teresa Moscoso. Quero ainda agradecer aos colegas Carlos Lozoya e
Luís Miguel Borrego pela sua colaboração com a RPIA na função de coordenadores
desta rubrica dos Artigos Comentados.
De igual forma, como Editor da RPIA, muito agradeço a colaboração dos vários
colegas que se disponibilizaram para efectuar as revisões científicas dos
vários trabalhos que nos foram submetidos para publicação e que muito têm
contribuído para o aumento da qualidade das nossas publicações. O trabalho dos
revisores científicos é absolutamente vital como garantia de qualidade e, no
caso da RPIA, esse trabalho, aliado a uma vertente pedagógica, tem sido
imprescindível e merecedor do nosso reconhecimento e gratidão. Aos colegas
indicados o meu agradecimento em nome de todos: Alice Coimbra, Amélia Spínola
Santos, Ana Todo -Bom, Celso Pereira, Cristina Santa Marta, Elisa Pedro, Elza
Tomaz, Emília Faria, Eva Gomes, Isabel Carrapatoso, João Almeida Fonseca, José
Ferreira, José Torres da Costa, Mário Morais de Almeida, Paula Leiria Pinto,
Rodrigo Rodrigues Alves, Rui Brandão e Sara Prates. Quero ainda agradecer ao
colega Luís Miguel Borrego pela sua colaboração com a RPIA na função de revisor
das retroversões para o inglês, contribuindo para a melhoria dos textos em
língua inglesa.
Agradeço ainda a todos os autores que nos confiaram os seus trabalhos para
publicação e cuja listagem publicamos nos índices de 2013 no final deste
número. E é com os votos de uma proveitosa leitura deste número da nossa
revista que me despeço, com um muito obrigado a todos quantos colaboraram com a
RPIA ao longo deste período, esperando que continuem sempre a colaborar com
esta revista que muito nos orgulha e que é de todos nós.