A hipótese de Sapir-Whorf defendia que a língua influenciava as perspetivas da realidade e as relações sociais dos indivíduos. Ou seja, que o conhecimento do mundo era configurado pelo discurso onde as especificidades linguísticas eram sinónimo de especificidades culturais.
Esta teoria veio a desenvolver duas possíveis interpretações:
A do determinismo linguístico que defendia a existência de sistemas de [...] representação não equivalentes.
A do relativismo linguístico que defendia a influência linguística nas perspetivas da realidade e do pensamento dos falantes.
Para desenvolver esta hipótese, julga-se que Whorf se inspirou no filósofo Herder que afirmava que “o espírito de uma nação e a natureza do seu povo estão contidos na língua”.
No entanto, várias críticas surgiram frente à teoria de que “se uma língua não tiver a palavra para veicular um determinado conceito, os seus falantes não serão capazes de o compreender”.
Primeiramente, é importante referir que a nossa língua materna não restringe as nossas mentes. [NYTimes, 2010/08]
Seguidamente, devemos realçar que não é por não utilizar o mesmo sistema de representação que uma determinada língua não compreende/desconhece ou não está suscetível a tal aprendizagem. Exemplificando, não é por não utilizarem expressões verbais para expressar o futuro que [...] determinadas culturas não conhecem esta [...] noção temporal. [NYTimes]no entanto, é, em simultâneo, fulcral atentar que, por outro lado, existem expressões com uma carga cultural tão forte que são impossíveis de traduzir. É o caso de expressões portuguesas como “saudade”, “desenrascanço” e do calão.
A realidade em que nos movimentamos influencia a nossa expressão linguística. Por exemplo, os tuaregs (indivíduos que vivem no deserto) são capazes de distinguir e verbalizar os diferentes tipos e estados de areia. Contudo, não são capazes de diferenciar neve de gelo. Os esquimós criaram inúmeras expressões para os distintos tipos de neve e gelo mas não diferenciam um [...] camelo de um dromedário.
Assim, e para concluir, podemos afirmar que os conceitos [...] são influenciados pela realidade em que se vive contudo esta não é comprometedora da compreensão e aprendizagem que podemos vir a desenvolver no diálogo com o outro. [Faria]