Há 22 anos, nasci numa cidade enorme em termos de território e grande suficiente em termos populacionais com um número de habitantes por volta das 3,5 milhões. Adoro viver na cidade. Eu gosto do cheiro, e do barulho dos carros e das pessoas.
Na cidade, é possível aproveitar uma variedade de actividades a qualquer hora do dia ou da noite. Eu posso sair com os amigos e tomar um pequeno-almoço de batatas fritas às cinco da manhã ou podemos organizar espontaneamente uma festa em casa e comprar bebidas e comida à meia-noite no supermercado ao lado. Estou habituada a transportes públicos pontuais que me levam a todos os portos da cidade. Não preciso de carro.
Não consigo imaginar viver no campo.
Ainda não fiz esta experiência, mas parece-me pouco atractivo. Não gosto muito da natureza enquanto silêncio e árvores. Não gosto nada de horticular (?) e, portanto, um jardim bonitinho não me dá o mesmo prazer como ir tomar um Latte Macchiato no meu café preferido e ficar na conversa a tarde toda.
Agora vivo em Coimbra e curiosamente gosto bastante desta cidade pequena.
Embora tenha estes horários horríveis e inúteis dos autocarros, adoro a possibilidade de andar a pé de um lado para o outro. Ainda por cima encontra-se sempre um ou dois amigos no caminho. Se ficarmos com fome depois de uma noite longa, vamos para a casa comer tostas mistas e nas festas espontáneas bebe-se o que houver em casa.
Todos os meus colegas de casa têm um quintal. Por consequência, eles trazem muitas vezes ovos caseiros ou vegetais o que, para mim, é uma curiosidade porque ninguém dos meus amigos berlinenses tem um quintal e ainda menos galinhas.
Uma outra curiosidade é a maneira como os estudantes fugem da cidade na sexta-feira e deixam Coimbra para atrás como se fosse o pior sítio de Portugal.
Enquanto estudante, Coimbra parece-me uma cidade óptima para viver. Mesmo que não fique muito bem de responder a uma pergunta sobre a cidade e o campo comparando Berlin [Berlim] e Coimbra, a mudança de modo de vida foi como se eu tivesse mudado de casa para o campo.
Quem sabe, um dia se calhar vou mudar para um sítio ainda menor e descobrir as vantagens do campo. Mas provavelmente, quando for velha, viverei numa casinha perto do mar
se tiver acesso de internet.